vergonha alheia

By Lai

0

fico imaginando que entrevistar o umberto eco deve ser das coisas mais complexas que existem. claro, um repórter metido a besta pode achar que não precisa de mais nada além dos seus conhecimentos de pauta, redação e poder de síntese na hora de relatar.

FAIL. é preciso cultura também. ou, no mínimo, senso de humor. coisa que quase nunca vejo em entrevistas com o sr. eco. e que sobrenome legal. queria me chamar laila eco.

essa entrevista feita pelo NYT com ele cai na categoria “oi, eu sei que é 12:30 aí na itália e eu nunca li nada do que você escreveu, mas meu sub-editor de área me mandou te ligar pra gente conversar sobre o seu novo livro, pode ser? na verdade, em vez de falar sobre seu livro, pretendo digressionar e falar sobre o código da vinci, que vem a ser o único assunto que nós teríamos para discutir. além disso, só de brinde, vou fazer comentários sem sentido e não entender nenhum dos teus comentários irônicos”.

mas pelo menos você vai ser publicado no NYT.

impossível escolher um momento só:

Are you saying that Germany got the idea of fascism from Italy? Oh, certainly. According to what the historians say, it is so.

Maybe just the Italian historians. If you don’t like it, don’t tell it. I am indifferent.

e piora:

I am wondering if you read Dan Brown’s “Da Vinci Code,” which some critics see as the pop version of your “Name of the Rose.” I was obliged to read it because everybody was asking me about it. My answer is that Dan Brown is one of the characters in my novel, “Foucault’s Pendulum,” which is about people who start believing in occult stuff.

But you yourself seem interested in the kabbalah, alchemy and other occult practices explored in the novel. No, in “Foucault’s Pendulum” I wrote the grotesque representation of these kind of people. So Dan Brown is one of my creatures.

e piora mais:

Do you care if people read your novels 100 years from now? If somebody writes a book and doesn’t care for the survival of that book, he’s an imbecile.

Leave a Reply