nos quinze anos que se seguiram à segunda guerra mundial, esta mística de realização feminina tornou-se o centro querido e intocável da cultura americana contemporânea. vocábulos como “emancipação” ou “carreira” pareciam estranhos e embaraçosos. ninguém os usara há tanto tempo! a mulher americana das décadas de 50 e 60, com ajuda de uma intensa campanha nacional para a volta da mulher ao lar, esqueceu-se da luta que muitas feministas ao redor do mundo sofreram para conquistar direitos básicos. quando uma francesa chamada simone de beauvoir escreveu, em 49, um livro intitulado “o segundo sexo”, um crítico americano comentou que era óbvio que a autora “nada entendia da vida” e, além do mais, falava exclusivamente sobre a francesa. a “mulher problema” deixara de existir na américa.
[betty friedan, a mística feminina, 1963, p. 20]