
tou relendo “a importância de ser prudente”. oh my, como é divertida essa peça! não consigo dizer se gosto mais dos contos dele ou das peças. até peguei o retrato de dorian gray, mas desisti, não ando tão apegada à fugacidade da juventude pra reler esse. apesar de fazer aniversário mês que vem (saindo então da idade adorada pelos narradores de bingo: dois patinhos na lagoa), não acho que o tempo esteja passando rápido.
nunca fui ansiosa pra ficar mais velha, nunca quis loucamente fazer 18 anos pra poder dirigir, pra poder ir embora de casa, pra poder entrar numa balada, ou qualquer vontade adolescente de apressar o tempo. oh my, como eu fui uma adolescente estranha hahaha. acho que me identifico com o jeff buckley porque ele era uma old soul. como ele parecia ter séculos por dentro (vampire?) e uma androginia inside também. tou associando tudo com vampiro agora haha até o jeff, gorgeous eyes and such a seductive voice. não gosto dessa coisa de “alma feminina” nas coisas, na literatura, ou na música ou em qualquer lugar. mas eu gosto de como o jeff caminha nessa androginia musical tão beautifully.
as interpretações dele de edith piaf, nina simone, billie holiday, judy garland são de cair o queixo. quem ouve jeff buckley desavisadamente até pode achar que ele era uma pessoa solitária e triste. mas basta uma olhada nos vídeos ou no dvd de live at sin-é ou live in chicago pra constatar que existiam dois jeffs. o gênio que escrevia “lover you should’ve come over” e “the sky is a landfill” e também o cara palhaço e divertido no palco, que conseguia cantar “last goodbye” e “ace os spades” do motörhead num mesmo show. ele fazia piadas sobre culture pop da época, imitava cantores de forma bizarra, brincava do jogo da cadeira (aquele em que se tem que procurar uma cadeira e sentar nela logo que a música acaba) e fazia todo mundo rir junto, pra logo depois tocar “grace” que fala de amor, morte e vida eterna. a elizabeth fraser dos cocteau twins, que namorou o jeff, escreveu pra ele aquela música “seekers who are lover”, cantando “you are a woman just as you are a man.”.
mas não me falem em alma feminina, soa viadagem emprestar uma condição etérea, ausente de qualquer coisa que remeta à dick ou pussy, à personificação artística das características básicas de uma mulher. mas ainda assim, prefiro os espantos transcendentais da clarice lispector causados por uma barata à tediosa virilidade de pescador matuto do hemingway. o que não quer dizer que ache a virilidade entediante, porque não gostar de hemingway porque não se gosta de virilidade é como não gostar de oscar wilde porque não se gosta de viadagem. uma tolice. o defeito do hem era o argumento, porque de técnica ele era um gênio, ler um parágrafo de paris é uma festa é uma delícia. mas aquelas touradas, guerras, bebedeiras, safaris me cansam, deve ser difícil demais ser homem quando a virilidade é imposta e carregada como bandeira. eu prefiro imensamente escritores menos testosteronados, como fitzgerald (fracasso nos esportes, sucesso com as mulheres).
esse post era sobre o wilde e já falei de tanta coisa! mas voltando: comecei a ler oscar wilde no começo da faculdade por indicação de um amigo. na época dividia meu tempo com o marketing do kotler e com o retrato de dorian gray. depois foi a vez de de profundis com pesquisa de marketing do malhotra… e tudo porque esse sujeito imensamente meigo, me “obrigou” a ler wilde pra saber mais sobre o amor e a dor. esse amigo, poor boy, sempre teve uma queda por caras confusos, emotivos, sensíveis, que falam por dialetos, fitzgerald style. como ele sofria! lembro de ele chegar uma manhã na espm e soltar: “prometo aqui e agora que só terei queda por homens que lêem jornais – ou que pelo menos não me venha com algum poema novo, que eu ainda não conheça”. nunca cumpriu a promessa.